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Hora do parto. E agora?

Publicado em 19/10/2015
Imagem do Artigo Hora do parto. E agora?

Quando se fala em parto, as opiniões se dividem em questão de segundos. Com o grande volume de informações disponibilizados na internet, mesmo aqueles que estão longe de passar pela experiência da gestação, já têm sua teoria sobre o assunto. Em busca de uma verdade absoluta, muitas pessoas se esquecem de que o mais importante é assegurar, no final do processo, uma mãe realizada e um bebê saudável.

Conversamos com as Dras. Erika Nerusa - Ginecologista especialista em Obstetrícia do Hospital Novo Atibaia, e Alessandra Garcia Lopes Magro, especialista em Pediatria - sobre um método que vem ganhando defensores mundo afora: o parto humanizado. Confira.

ENTREVISTA

P: O parto humanizado vem ganhando adeptas em todo o mundo por encarar a situação de maneira mais natural e respeitando a escolha da mulher. Como ele funciona exatamente?

R: O parto humanizado coloca a gestante como protagonista do processo, já que ela participa ativamente das decisões juntamente aos profissionais que lhe prestam assistência. A ideia é rejeitar práticas consideradas desnecessárias e até mesmo prejudiciais que há muito tempo vem sendo realizadas rotineiramente em alguns serviços de saúde, garantindo ao trinômio: mãe, feto e família o melhor que a ciência pode oferecer. Tudo com base nas orientações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e sem radicalismos.

P: O que a OMS preconiza no atendimento aos recém-nascidos no parto humanizado?

R: O papel do pediatra está inserido no momento do bem nascer, evitando as interferências causadas por procedimentos desnecessários ou inoportunos no nascimento. Devemos garantir um contato íntimo pele a pele, da mãe com o bebê. Ela deve vê-lo, tocá-lo e por meio deste contato, proporcionar a temperatura ideal para o recém-nascido, além de amamentá-lo na primeira hora de vida. Isso porque está cientificamente comprovado que, com isso, há maior possibilidade de estender o período de amamentação exclusiva.

P: Quais as diferenças entre o parto normal e o humanizado?

R: Há procedimentos rotineiros no parto normal que não são usados frequentemente no parto humanizado como: ruptura artificial da bolsa para acelerar o parto, uso rotineiro da ocitocina sintética, episiotomia de rotina, impedimento da deambulação da parturiente, entre outros. Já no parto humanizado as intervenções são realizadas se necessário e com o consentimento da paciente. Ela pode, por exemplo, deambular livremente, escolher a melhor posição para o parto e participar ativamente do processo.

P: O parto humanizado oferece menos riscos? Em que situações é indicado?

R: O parto humanizado pode ser realizado em qualquer condição que não haja indicação absoluta de parto cesariana. Mas nós sempre dizemos que o melhor parto é aquele indicado no momento certo. Obviamente se as condições clínicas estão normais e favoráveis, quanto menores as intervenções, melhores serão os resultados. A humanização do parto promove a melhoria da assistência obstétrica, uma vez que orienta, compartilha e esclarece a paciente e sua família sobre a fisiologia do parto. O melhor parto é aquele indicado no momento correto e que preserva ao máximo a saúde materno-fetal.

P: O Brasil é considerado campeão mundial de cesarianas, com índices três vezes maiores que os recomendados pela Organização Mundial de Saúde. Apesar de toda a polêmica, por que muitas mulheres optam por esse método?

R: A opção pela cesariana por parte das famílias ocorre, na maioria das vezes, devido à “Cultura do Medo”. Isto se refere à violência a que as parturientes eram submetidas até bem pouco tempo. Hoje, ainda ouvimos de muitas pacientes que optam pelo parto humanizado que seus familiares as chamam de “loucas”, dizem que elas morrerão de dor no parto. Além disso, acreditamos que a sociedade como um todo ainda não tem conhecimento suficiente sobre os processos de gestação, parto e puerpério. A própria comunidade médica está em constante mudança técnico- científica e sendo assim, cabe a nós mantermos nossa educação continuada para poder oferecer à população o que há de melhor, bem como orientá-la e propagar nosso conhecimento.

P: A Taxa de Disponibilidade Médica - para garantir que o médico que atendeu a gestante durante os meses de gestação seja o responsável pelo parto - é uma grande polêmica, inclusive motivo de discordância entre o Conselho Federal de Medicina e a Agência Nacional de Saúde. Na opinião de vocês, isso fere o direito de escolha da gestante? Qual a importância dessa garantia para o médico?

R: Claro que isso fere o direito da paciente, mas o do médico também. Essa discordância é política e totalmente inadequada. O parto é coberto pela operadora de saúde, mas o acompanhamento presencial do trabalho de parto não é. É um direito do médico ser remunerado por isso, afinal ele está ali trabalhando, diagnosticando e intercedendo pelo bem estar materno-fetal. Porém, a sociedade deve compreender que a nossa realização profissional vai além da remuneração, não há valor monetário que substitua o prazer de assistir o nascimento de uma nova vida e o surgimento de uma mãe.